In jail.

Conta-me como foi.

Passar tantos meses num espaço tao estreito.

E escuro.

Conta-me.

Como é que fazias quando querias fugir?

Esquecer-te?

Como é que fazias quando querias esconder-te?

Conta-me.

E as horas que sopraram?

E os meses que ouviste?

Todas as palavras que não retribuíste.

Todas as lágrimas que não secaste.

Como é que fizeste?

Trancado na tua cadeia.

Trancado no teu corpo.

Como é que fizeste para aguentar tantos meses?

Como é que fizeste para não desistires?

Como é que deixaste alastrar tanto?

Querias acalmá-los, não era?

Eu sei.

 

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Mon coeur,

A felicidade é um lugar de que necessito fugir,

Mon coeur.

Para o bem-estar das minhas palavras,

Mon coeur.

Para o bem-estar da minha incurável melancolia,

Mon coeur.

Porque certamente te aborrecerias lá comigo,

Mon coeur.

Nada tenho para te dar.

Nada tenho para te contar.

Nada tenho para te guardar.

Por isso,

Não te esqueces de não me levar contigo.

Sim?

Promete-me.

Não quero nunca mais.

Porque sei que os edifícios são feitos de cartão.

E as luzes de vidro.

Porque não se trata só do espaço.

Mas do tempo.

Minutos e horas abatendo-se contra o vento e a chuva.

Quero continuar pelas ruas deste mundo.

Com os pés sepultados na terra molhada.

Se puder ser,

Mon coeur.

 

My fish without fins.

Vejo-te como um peixinho.

Sem barbatanas.

Tu tentas.

Bem tentas.

Mas já não consegues.

Tens o jeito.

Lembras-te dos movimentos.

Mas já não consegues.

Vejo-te como um peixinho.

Que se vai afogando.

Cada vez mais.

Cada vez mais fundo.

Não pares.

Não quero que pares.

Quero que continuas.

Até perderes a tua última energia.

Até não conseguires mais.

Não quero mesmo que desistes.

Continua.

És o meu peixinho sem barbatanas preferido.

Continua.

Continua.

Adoro ficar a olhar para ti.

Por cima e fora da água.

Adoro ficar a olhar para ti.

Afogares-te cada vez mais fundo.

És o meu peixinho sem barbatanas preferido.

Continua.

Continua.

Bloody roses.

Era uma mulher corajosa.

Diziam eles.

Não deixava transparecer nada no meu rosto.

Diziam eles.

Para uma primeira vez, aguentava-me bem.

Diziam eles.

 

Olhava para o meu braço.

O sangue respirava como oxigénio nos meus alvéolos.

Olhei para o meu sangue.

Como quem olhava para o que já conhecia mas nunca tinha encarado.

 

Suportava bem a dor.

Diziam eles.

Pois.

Respondi eu.

A matter of rythm.

Sinto que o meu sangue tem encontrado um ritmo singular.

Eu não sabia.

Pensava eu que era algo fisiológico,

impróprio a cada pessoa.

Igual para todos.

Mas não.

Não é.

Garanto-te.

Sinto-lhe um ritmo muito pessoal,

sereno

mas com uma direção muito determinada,

flua como se não houvesse amanhã,

como se avistasse ao longe o alvo e não quisesse parar.

Nunca.

Juro.      

Locomotive.

Esta máquina assusta-me. 

Sobretudo nas noites longas em que os olhos estão mortos e a cabeça em coma. 

Esta máquina assusta-me. 

E tanto. 

Porque arranca, ganha velocidade e ninguém a sustenta. 

Esta máquina assusta-me. 

As rodas vão alcançando a força e o movimento. 

A velocidade torna-se incontrolável. 

O som dos apitos e dos motores infernais. 

Levando-me perto do precipício da loucura. 

Esta máquina assusta-me. 

E tanto. Sem nada para a abrandar. 

Sem nada para a travar.

Lá vou eu. 

Lançada dentro desta locomotiva. 

Sem qualquer limite, 

sem ser a renúncia física do corpo em que reside.